Você sabe como usar a vírgula sem erros? Descubra tudo neste guia!

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A vírgula — sinal ortográfico utilizado para pequenas pausas — é fundamental para a conduzir o ritmo da leitura. Além de separar frases e seus elementos, saber como usar a vírgula contribui para uma boa escrita, principalmente para quem vai fazer uma redação do ENEM.

O problema é que muita gente ainda erra ao usar esse sinal gráfico, e, inclusive, colocando-o de maneira inadequada em uma frase. Se você tem dúvidas em relação sobre como usar a vírgula, fique atento às dicas dadas a seguir. 

Frases na ordem direta

Quando as palavras são usadas numa sequência natural, ou seja, quando são escritas usando sujeito, verbo e complemento, nessa ordem, não há necessidade de vírgula.

Exemplo: Antônio veio me visitar ontem (ordem direta).

Ontem, Antônio veio me visitar (ordem indireta).

Frases ou orações intercaladas por elemento complementar

Se houver uma quebra na estrutura lógica da frase, usa-se a vírgula, independentemente se a intercalação é um aposto, adjunto adverbial ou conjunção. Esses termos são complementares à frase, interrompendo o seu fluxo original.

Exemplo: Minha filha vive me pedindo dinheiro (não intercalado).

Meu tio, que é corretor de imóveis, nos vendeu a casa (intercalado).

Elementos explicativos

Quando se usa elementos explicativos, como “isto é”, “com efeito”, “a propósito”, “além disso”, “ou seja”, a vírgula é recomendada. 

Exemplo: O que fiz hoje, isto sim, é o melhor para todos.

Não aceitamos cheques, ou seja, o pagamento deve ser feito em dinheiro.

Pequenas intercalações

No caso de intercalações em frases curtas, como advérbios ou pequenas explicações, a vírgula pode ser opcional.

Exemplo: Você não gosta dele por sua beleza, mas, sim, pelo seu caráter.

Você não gosta dele por sua beleza mas sim pelo seu caráter.

Vírgula com vocativo

O vocativo é um termo usado para evocação daquele com quem se fala. Nesse caso, recomenda-se o uso da vírgula. É muito importante não confundir com o sujeito da frase, que não deve ser separado do verbo.

Exemplo: Maria, arrume o seu armário (vocativo).

Maria arrumou o seu armário (sujeito).

Coordenação de elementos com a mesma função

Números, palavras, expressões ou orações são separadas por vírgula para indicar a coordenação entre esses elementos, quando eles têm as mesmas funções sintáticas e independência. 

Exemplo: Estudam de manhã, de tarde, de noite.

Educação, saúde e segurança pública são essenciais para todos.

Uso da conjunção “e”

A conjunção “e” pode ser precedida por vírgula, como apresentado a seguir.

Primeiro caso: separa orações coordenadas com sujeitos diferentes. 

Exemplo: O policial (sujeito 1) prendeu o rapaz, e a mãe (sujeito 2) ficou preocupada.

Segundo caso: quando há intercalação entre dois termos coordenados pela conjunção “e”.

Exemplo: Ontem comi um bolo, uma torta, que era de limão, e outras guloseimas.

Conjunção “mas”

Nos casos em que a conjunção “mas” une dois termos com mesma função sintática, o uso da vírgula é dispensável. 

Exemplo: Esperava que bebesse não um uísque mas um vinho.

Quando inicia uma nova oração no mesmo período, “mas” deve ser precedido por vírgula.

Exemplo: Não sabemos a causa, mas acho que as aulas foram adiadas pelo diretor.

Não se usa vírgula após a conjunção, separando o conectivo da oração principal.

Exemplo: Não ouço funk, mas respeito quem gosta de ouvir.

Outras conjunções coordenativas

Palavras e expressões adversativas, como “porém”, “contudo”, “todavia”, “entretanto” e “no entanto” usadas no início, no fim ou intercaladas numa oração, devem ser acompanhadas por vírgula.

Exemplos:

Ouço música clássica, porém ouço mais jazz e blues.

Não ouço, porém, funk e sertanejo.

Conjunções conclusivas como “logo”, “assim”, “portanto” e “por isso” devem ser acompanhadas por vírgula.

Exemplo: Estou com sono. Logo, preciso dormir.

Não use vírgula depois da conjunção, quando a oração anterior já vir separada por outra de forma que uma intercalação seja caracterizada. 

Exemplo: Ele está trabalhando, logo não pode atendê-la.

Pois e porque

Quando as orações são iniciadas pelas conjunções pois e porque, não há não necessidade de vírgula quando aparecem após a oração principal. Nesse caso, a vírgula é facultativa. 

Exemplos: Chega de cerveja pois você já está bêbado.

Não foi ao cinema, pois já estava lotado.

Orações subordinadas adverbiais

A vírgula é utilizada quando uma oração subordinada adverbial quebra a ordem natural de uma frase. Veja só:

Quando a aula acabou, os alunos foram embora.

(Ordem natural: Os alunos foram embora, quando a aula acabou.)

Relembrando: oração adverbial complementa a oração principal e expressa circunstância.

Oração principal: Os alunos foram embora.

Circunstância: quando a aula acabou.

Orações reduzidas de gerúndio, particípio e infinitivo

Usamos vírgula para separar orações reduzidas de gerúndio, de particípio ou de infinitivo quando aparecem antes da oração principal e se comportam como orações adverbiais. Exemplos:

Fazendo isso, Maria se curou. (= quando fez isso)

(Reduzida de gerúndio: fazendo isso/ Oração principal: Maria se curou)

Passado o susto, todos voltaram ao trabalho. (= quando ou após passar o susto)

(Reduzida de particípio: Passado o susto/ oração principal: todos voltaram ao trabalho)

Ao receber o dinheiro, pagou as contas. (= quando recebeu a notícia)

Reduzida de infinitivo: Ao receber o dinheiro/ oração principal: pagou as contas)

Oração adjetiva explicativa

A oração adjetiva explicativa deve ser separada da oração principal por meio da vírgula.

Exemplo:

Assisti ao último filme do Tarantino, que concorreu ao Oscar de melhor filme.

Gosto de abacaxi, cujo o suco é bem saboroso.

As orações adjetivas explicativas podem ser retiradas da frase sem alteração de sentido, são consideradas termos acessórios. 

Exemplo: Assisti ao último filme do Tarantino.

Oração adjetiva restritiva

Não se separa por vírgula as orações restritivas. Isso porque elas são indispensáveis, definem, particularizam ou identificam um nome já mencionado. A vírgula pode alterar o sentido da frase.

Exemplos:

A menina que canta na igreja mora aqui no bairro. Nesse caso, a menina foi identificada e restringida.

A menina, que canta na igreja, mora aqui no bairro. A ideia do autor dessa frase informa a ideia de que a menina mora no bairro. 

Adjuntos adverbiais

Um adjunto adverbial pode alterar o sentido de toda uma oração, quando é feito o uso de vírgula.

Exemplos:

Pelo que eu vi, a loja foi inaugurada semana passada.

A loja foi inaugurada semana passada, pelo que eu vi.

A loja, pelo que eu vi, foi inaugurada semana passada.

A vírgula é dispensável, quando o adjunto é pequeno, no início do período.

Exemplo: Finalmente tudo foi resolvido.

No entanto, ela pode ser usada para dar ênfase:

Exemplo: Finalmente, tudo foi resolvido.

Enfim, é muito importante ficar atento a essas dicas de como usar a vírgula, apesar de poder haver exceções. Por isso, leia bastante e consulte este guia sempre que necessário para treinar a sua escrita.

Gostou dessas dicas de como usar a vírgula? Então, veja também 5 erros de redação que você nunca deve cometer!

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