Como lidar com os efeitos do distanciamento social na aprendizagem?

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De acordo com a Unesco, a crise do novo coronavírus afastou 1,576 bilhão de alunos das salas de aula no mundo todo. No total, 188 países tiveram que fechar escolas e suspender as aulas presenciais. Isso fez com que gestores e professores tivessem que criar novas formas de dar aulas e de fazer a avaliação de alunos.

No entanto, apesar dos diversos recursos tecnológicos disponíveis para facilitar a comunicação, o isolamento social vem sendo considerado prejudicial para a aprendizagem. O objetivo deste artigo é apresentar algumas ações que podem ser adotadas pelos docentes para reduzir os efeitos do distanciamento social na aprendizagem dos alunos. Acompanhe!

Os efeitos do distanciamento social na vida de crianças e adolescentes

Uma pesquisa realizada na Universidade de Cambridge, na Inglaterra, mostra que o distanciamento social pode trazer sérios danos. Principalmente, para a capacidade dos adolescentes se relacionarem com outras pessoas fora do ambiente familiar. 

Pesquisas realizadas por este mesmo estudo com roedores apontam que privações de contato durante a adolescência influencia mais no cérebro e no comportamento social nessa fase da vida do que em outras. 

As interações sociais são fundamentais para o desenvolvimento de aspectos importantes da vida. Como autoconhecimento e saúde mental.

O levantamento revela ainda que é na adolescência, entre os 10 e 24 anos, que os jovens vivem relações mais complexas, envolvendo diferentes tipos de pessoas.

Nesta etapa, os jovens também desenvolvem habilidades cognitivas, responsáveis por fazer com que entendam a perspectiva de outros indivíduos diante das situações.  

Guilherme V. Polanczyk, professor associado do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, explica que, além os efeitos do isolamento, outros fatores relacionados à pandemia podem elevar a carga de estresse emocional em crianças e adolescentes.  

“Quando os estímulos que chegam ao cérebro da criança não são tão intensos, ela tem um cérebro que processa adequadamente esses estímulos, o estresse resultante é processado pelos pais e retransmitido de forma que gere aprendizado, provavelmente há o fortalecimento emocional dessa criança. É o processo chamado de resiliência”, exemplifica o especialista.

Polanczyk comenta, também, que os jovens reagem de maneiras diferentes a partir das experiências vividas nesse período. Eles são fortemente influenciados pela forma com que a própria criança lida e absorve as adversidades.

Ainda segundo o professor, quando os estímulos que chegam ao cérebro das crianças são devastadores, o cérebro delas não os processa adequadamente ou quando os pais amplificam o estresse, há o estresse tóxico. E aí problemas emocionais, comportamentais ou mesmo transtornos mentais podem se instalar.

Veja alguns fatores podem ser altamente prejudiciais para o desenvolvimento escolar do aluno:

  • Aumento do estresse;
  • Dificuldade de lidar com a nova rotina;
  • Falta de contato com os colegas;
  • A nova realidade de ter que estudar sozinho.

Aos docentes, cabe:

  • Entender esse cenário;
  • Aprender a lidar com os desafios;
  • Propor soluções que minimizem os impactos dos efeitos nocivos provocados pelo distanciamento social à aprendizagem. 

Avaliação de alunos: 6 formas de diminuir os impactos do distanciamento social na aprendizagem

Apesar dos estudos que estão sendo realizados para entender os impactos do distanciamento social na vida dos alunos, ainda é cedo para afirmar quais serão os resultados desse novo modelo de vida e de aprendizagem.

Mesmo assim, algumas ações podem ser adotadas desde já. Tudo com o objetivo de tornar o processo menos doloroso para todos os envolvidos. 

Anote algumas estratégias que podem ser adotadas em sua escola!

1. Tenha um canal de comunicação aberto com os alunos

Muitos estudantes podem estar passando por grandes problemas relacionados ao distanciamento social. A falta da rotina escolar antiga, do contato com os amigos, do ambiente escolar e ausência da presença física dos professores são fatores que afetam diretamente o lado psicológico dos alunos. 

Para diminuir esses efeitos, é importante que a escola ofereça um canal efetivo de comunicação, além do simples contato com o professor.

Os alunos já sabem que podem conversar com os professores. Porém, torna-se importante ter um meio onde eles possam buscar amparo, caso enfrentem alguma dificuldade. A escola deve criar esse ambiente e divulgar amplamente para que os estudantes se sintam à vontade para participar.

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2. Comunique-se com os responsáveis periodicamente

Entender como anda a rotina dos alunos e como estão lidando com o distanciamento social em suas casas é importante para conseguir ajudar. Todos estão vivendo um momento novo e não sabem bem como lidar direito com a situação.

Por isso, a escola precisa se manter próxima dos pais ou responsáveis. Essa comunicação pode trazer informações valiosas sobre o desenvolvimento dos alunos.

Caso algo sério seja reportado por eles, a escola consegue intervir, auxiliando o aluno de várias formas. Por exemplo, disponibilizando um tutor, pensando em novas atividades, etc.

3. Use a experiência de outros profissionais

O que outras escolas e professores estão fazendo? Quais ações estão sendo adotadas? É bastante comum que um diretor, coordenador ou professor trabalhe em mais de uma escola. A troca de experiências é ainda mais enriquecedora nestes momentos. 

Uma estratégia que vem sendo utilizada em outra instituição pode ser adaptada para as necessidades da sua escola. Ou ainda, é possível reunir soluções diferentes para chegar a um resultado melhor para os alunos da sua classe. 

4. Busque novas metodologias

Estamos há mais de quatro meses em isolamento social. E não há problema algum em assumir que as metodologias adotadas no início não estão mais funcionando ou não deram certo. Tudo ainda é muito novo e teremos que continuar testando até encontrar as melhores soluções para cada tipo de problema. 

Por isso, não se prenda às metodologias que foram implementadas no começo da pandemia. Busque novas alternativas, faça testes, converse com a equipe docente, pesquise com os alunos e implante a gestão democrática na sua escola. 

Use as informações que você levantar para entender o quanto os recursos utilizados estão ajudando ou não.

5. Promova momentos de interação entre os alunos

Passar 6 ou 7 horas em uma sala de aula pode se inquietante e cansativo para muitos alunos. O que ajuda é o fato de estarem ao lado de seus colegas e de haver intervalos entre as aulas. Estudando em casa, a sensação é totalmente diferente. E isso pode tornar a rotina ainda mais exaustiva.

Ter momentos de interação é fundamental para que o aluno possa conversar com seus colegas e professores. E até mesmo se distrair um pouco. Essas integrações devem fazer parte da aula, de forma dinâmica e lúdica. O professor pode trazer temas atuais e relacionados com a sua matéria, para conversar e refletir com a turma.

6. Invista em tecnologias para acompanhar o desempenho dos alunos

A tecnologia se tornou a principal aliada das escolas nesse isolamento social. Por meio de diversas plataformas, os professores conseguem ministrar suas aulas, acompanhar o desenvolvimento da classe e depois fazer a avaliação dos alunos. 

Soluções como as oferecidas pela plataforma Redação Nota 1000 permitem que os professores façam o acompanhamento da evolução dos alunos em redação, detalhando seus pontos fortes, aspectos que precisam ser melhorados e entregando um histórico completo do seu desempenho. 

Você sabia que entre os alunos que usam esta ferramenta, é possível constatar um aumento de 270 pontos na média de redação do ENEM, após produzirem 10 textos na plataforma? 

Finalizando: ainda não sabemos quanto mais tempo será necessário manter o ensino a distância. Ou algo mais concreto sobre os desafios em relação ao retorno das aulas que, provavelmente, será feito por revezamento. Neste modelo, somente metade da sala vai pra escola, como ocorre em outros países.

Mas é possível imaginar que algumas tecnologias e iniciativas adotadas agora vão fazer parte da rotina em qualquer situação.

Conheça melhor a plataforma Redação Nota 1000. E veja como ela pode facilitar sua avaliação de alunos! 

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