Redação Nota 1000
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Postado: 20 de fevereiro de 2017|Nenhum Comentário

Formas de melhorar essa relação redação

 O trabalho de correção muitas vezes é um trabalho solitário: sentado em sua mesa, lá está o corretor entrando na noite vazia com sua caneta vermelha, circulando as vírgulas, desenhando interrogações e tecendo os comentários. Digo solitário porque a interação entre ele e os alunos se limita, em muitos casos, somente à redação: é ela que vai representar a linha de raciocínio do aluno, e é ela também que vai conversar com o corretor.

Para melhorar a comunicação entre o aluno e o corretor, decidimos elencar aqui alguns problemas recorrentes que ele encontra nas redações e que podem comprometer essa relação.

escrita

  1. Abordagem do tema

Fuga da proposta e tangenciamento do tema

O tema das redações é talvez o item mais importante da produção do texto. É ele que vai mobilizar determinados conhecimentos que serão avaliados pelos corretores. Se você não atender o tema, o corretor não terá muito como te avaliar. É como numa prova de matemática: o enunciado pede uma conta de adição, e você realiza uma de multiplicação. Por mais que o cálculo esteja certo, o objetivo do professor era avaliar se você sabia somar, e não multiplicar!

 

Como evitar?

É esse o momento de colocar os seus conhecimentos de interpretação em prática. Leia e releia, com muita atenção, os textos motivadores e, principalmente, a frase sintetizada da proposta. Ela serve para definir, exatamente, sobre o que você deverá dissertar.

Assim como a redação é o contato do corretor com o aluno, a proposta temática também pode ser compreendida como parte desse mesmo contato. O assunto da conversa vai ser aquele, e somente aquele. Se você não respeitar, a comunicação já começa com problemas.

 

  1. Repertório e autoria

Abordagem previsível, referências desarticuladas ou inadequadas ao tema

Se a sua abordagem for previsível, previsível também será o desinteresse do corretor pelo seu texto.

Acontece às vezes de vir um tema que não temos muito domínio, então fica difícil desenvolver algo. Geralmente, o que dá para fazer é utilizar as informações dos textos motivadores. No entanto, é preciso tomar cuidado, pois há risco da sua argumentação ser apenas uma repetição da coletânea o que pode deixa-la rasa e circular.

 

Como evitar?

 Para evitar esse impasse, uma preparação é necessária. O hábito de ler notícias e discutir questões que estão sendo muito debatidas pelos grandes meios de comunicação pode te ajudar muito na abordagem do tema.

É importante procurar sair do senso comum nesses momentos. O que pode te auxiliar a escapar da abordagem previsível é procurar relacionar o tema a outras questões (por exemplo: a relação da superpopulação carcerária com o fechamento de escolas públicas pelo estado de São Paulo). Embora seja uma dica pertinente, é preciso lembrar que: para realizar uma comparação, ou retomar um assunto, é preciso que as duas ideias trabalhadas apresentem algo em comum. Ao fazer isso, fique tranquilo: haverá com certeza um corretor mais feliz no mundo.

 

Referências e citações sempre enriquecem o texto?

Citar não significa, necessariamente, que você possui um bom repertório. E aqui, é importante retomar a questão da abordagem do tema: nós sabemos, que é tentador inserir no texto alguma frase de intelectuais ou cientistas famosos, por exemplo: Albert Einstein, Isaac Newton, Zigmund Bauman, etc. Mas se a citação não for minimamente articulada, ou relacionada ao tema e ao desenvolvimento do texto, não há justificava para usá-la. Lembre-se: a citação é uma estratégia textual para proporcionar mais consistência aos seus argumentos. Do que adianta, então, citar algo que não vai contribuir para a sua argumentação?

 

Como evitar?

Seja honesto com o seu corretor! Ele adora relações sinceras. Não precisa tentar impressioná-lo, muitas vezes uma reflexão simples e bem formulada pode ser muito mais valiosa para a sua argumentação do que acrescentar uma citação sobre ação e reação de Newton, quando o tema pede que se discuta a questão da habitação no Brasil. O principal é manter a coerência!

 

  1. Conclusão

Conclusões vagas ou incoerentes com o desenvolvimento

Uma conclusão que não conclui nada é como um apêndice do corpo do texto: está lá, mas se não tivesse também não faria diferença. Evite encher linguiça, porque de linguiça cheia o corretor já está bem farto.

Além da conclusão vaga, uma outra categoria de conclusão que faz cabelo de corretor cair é aquela que, depois de defender uma ideia com segurança, o aluno decide que no final as coisas não eram bem assim, muda de ponto de vista ou acrescenta informações novas. Isso quebra todo o desenvolvimento! O corretor, coitado, que estava acompanhando o seu raciocínio, chega no final do texto e se sente frustrado.

 

Como evitar?

Para evitar a conclusão vaga, basta retroceder no seu desenvolvimento e introdução e identificar quais foram os elementos principais trabalhados no seu texto. São eles que deverão ser retomados na conclusão de maneira sucinta. A conclusão é o momento em que você pode afirmar, finalmente, aquilo que você queria falar, mas teve que convencer o leitor antes no desenvolvimento. Uma vez que já desenvolveu, vá lá, conclua! Sem medo! O corretor te apoia nessa decisão.

Já a conclusão incoerente demonstra um problema de ponto de vista. Você provavelmente não está muito certo do seu argumento e acaba por transparecer isso com alguma expressão ou informação que contradiz o que você havia desenvolvido anteriormente.

Para evitar isso, procure realizar um planejamento textual mais organizado e esclarecido. Se você está confuso, pare e repense os seus argumentos.

 

E lembre-se que essas dicas vão além da relação com o corretor. Se você segui-las à risca, só irá aumentar suas chances de escrever uma redação nota 1000!!


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